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Som de Palavras



Às vezes, quando estou sozinha, as palavras voam
Vagam pela minha mente, como turbilhões
Às vezes, quando estou ao lado de pessoas, as palavras soam
Aparecem por entre os sorrisos, as vozes, as canções

Quando busco dentro de mim um ar
Um simples fato que me leve a escrever
Sinto um amor par
E uma luz que me ensina a ser

Tantas buscas indecisas,
Hoje sei que já não agüento
Isso me sufoca
Me soluça, por entre os dedos manchados

E, quando vejo que as palavras brotam
E em si fazem poesia
Sinto que a noite surge ao ver
Entre o sol e a nostalgia

Entre os arrepios do frio
Entre os arrepios dos amantes
Entre os arrepios dos medrosos
Entre os arrepios dos sinceros


Vago no mundo do passado
Vivo no mundo da lembrança rosada
Onde vagamente vejo ao teu lado
A menina que parecia casada

Casada contigo
Casada com a infância
Casada no abrigo
Que hoje causa repugnância

Se hoje escrevo versos sobre o que não sei
É porque você já não me dá valor
E tudo que antes pensei
Hoje tornam-se o meu amor

E se te amar é um erro
Vivo errante como tal
Quero sim me desfazer de ti
Mas é como o mar e o sal

Já não brota mais na seca
Meu amor que antes viu
Hoje escrevo o que sinto
Porque de mim você se riu

Esqueceu do passado
Esqueceu da infância rosada
Esqueceu da menina
Esqueceu que era casada

Você sumiu me deixou só
Por entre as nuvens do lado de cá
Viajou por entre os meus dedos sozinhos
E já não te via lá

Hoje canto a saudade
De te ter tão perto
A saudade de te ter aqui
A saudade de não ser certo

A saudade da infância
A saudade da rosada
A saudade da casada
A saudade de ti

São poemas sobre minha alma
Que em um livro me persegue
São poemas de uma jovem
Que pelas lágrimas segue

Poemas de cantar não sei o quê
Palavras que surgem de sorrisos
Palavras que surgem do nada
Do mundo das palavras de Drummond

É nesse mundo que meu amor se esconde
No mundo desconhecido das palavras
Onde ninguém consegue achá-lo
Ninguém jamais entenderá

Onde se esconde você?
Por entre as cordas do meu violão?
Dentro dos meus sonhos?
Entre os meus cadernos e canetas?


Você está entre a noite e o dia
Entre a porta e a saída
Entre a música e a letra
Entre o passo e o sapato

Entre a coberta e o deitado
Entre os olhos e o piscar
Entre o vidro e o doce
Entre os pensamentos e o pensar

E se por algum motivo te desejo hoje aqui
É porque esqueci como é tê-lo tão distante
Tão encoberto de amanhã
Tão hoje, tão sozinho, tão confiante

E se o telefone me lembra você
A noite me lembra mais
Porque sua voz eu tento entender
Mas o luar me satisfaz

Porque o luar é você
Pequenino como um mundo vasto
Como o dia claro
Como a noite só

O luar é você
Que me mostra o mundo dos sonhos
O mundo de vida
O mundo da Lua


O luar é você
Que me emociona ao ver
Que a poesia já se formou
As palavras a transformou

Não quero idolatrá-lo
Pois Deus já é digno disso
Quero apenas amá-lo
Como Paulo deixou claro

O amor é sofredor
Tão sofredor que me deixa só
Perdida, consolada, seria?
Mas tenho meus pensamentos

Tenho o mundo das palavras
O mundo da poesia
O mundo onde se esconde o meu amor
E que somente eu tenho o prazer (ou o desgosto) de senti-lo





- Postado por: laisschwarzvf às 22h39
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